Veio
à tona na última semana o relatório da Comissão de Inquérito sobre o
Abuso de Crianças da Irlanda, que havia nove anos investigava os
orfanatos administrados pela Igreja católica e outras instituições. O
relatório é categórico em suas conclusões e afirma que “Houve abusos
físicos e emocionais, houve abusos sexuais em grande parte das
instituições e sobretudo nas destinadas a rapazes. Houve um regime
severo, disciplina opressiva, por vezes fome...”
O
documento, de 2.600 páginas, traz relatos das vítimas sobre abusos
sofridos em mais de 250 instituições administradas pela Igreja. Conclui
que funcionários do clero sempre protegeram da prisão os pedófilos
membros da sua ordem para preservar a própria reputação e, de acordo
com papéis encontrados no Vaticano, era sabido que muitos deles eram
reincidentes seriais.
Entre
30 mil e 35 mil crianças foram vítimas desses abusos. Responsáveis por
pequenos furtos, identificadas como moradoras de rua ou provenientes
de famílias desestruturadas, as crianças eram enviadas para a rede de
escolas, reformatórios, orfanatos e albergues desde 1914 até o
fechamento das últimas instalações, na década de 1990.
Segundo
a Comissão de Inquérito para os Casos de Abuso Infantil da Irlanda,
instituída pelo governo para apurar as denúncias, depoimentos
consistentes de homens e mulheres ainda traumatizados, hoje com idades
entre 50 e 80 anos, demonstram que o sistema tratava as crianças como
prisioneiros e escravos, e não como cidadãos detentores de direitos e
potencial humano. "Uma atmosfera de medo, criada pelos castigos
arbitrários, excessivos e invasivos, permeava a maioria das
instituições. Crianças conviveram com o terror diário de não saber
quando seria a próxima surra", conclui o texto.
A
investigação apontou ainda que "Os abusos sexuais foram endêmicos nas
instituições para os rapazes" e que "A situação nas instituições para
moças era diferente, não era sistêmica", ou seja, acontecia menos
intensamente do que nas para rapazes. As meninas supervisionadas por
ordens de freiras, principalmente as Irmãs de Caridade, eram submetidas
a abusos sexuais com frequência menor, mas eram comuns as humilhações
cujo objetivo seria acabar com a autoestima. "Em algumas escolas, um
alto nível de espancamento ritual era considerado rotineiro. Meninas
eram espancadas com objetos projetados para maximizar a dor e atingidas
em todo o corpo." Conforme relato outro trecho do relatório.
O
documento refere-se a um período que começou em 1936 e acabou no final
dos anos 90 e uma das conclusões é que "as autoridades religiosas
sabiam que os abusos sexuais eram um problema constante nas
instituições masculinas" da Irlanda. As conclusões foram apresentadas
numa conferência de imprensa, aonde a comissão chegou a solicitar a
presença da polícia para evitar represálias da igreja e de fanáticos
religiosos.
Uma atrocidade sem fim autorizada e encoberta pela cúpula do Vaticano
Depois
das denúncias, originadas nas investigações da Comissão de Inquérito
sobre o Abuso de Crianças, a alta cúpula da Igreja Católica se
manifestou, afirmando que estava surpresa com as denúncias. O líder da
Igreja Católica na Irlanda, cardeal Sean Brady, disse "lamentar
profundamente" o que é relatado no documento. "Lamento e estou
envergonhado com o fato de crianças terem sofrido desta forma
terrível", adiantou. "O relatório torna claro que foi causada muita dor
a algumas das crianças mais vulneráveis".
Mas
o que Brady não comentou foram justamente as denúncias a cerca do
"silêncio" da Igreja diante dos abusos cometidos pelos irmãos de
Batina. Ao referir as constantes violações, o relatório sublinha que
"os autores dos abusos puderam continuar [a fazê-lo] durante longos
períodos sem serem perturbados".
São
relatadas ainda perseguições por parte da igreja às crianças que
denunciavam os abusos, por meio de “um clima de medo criado por
punições arbitrárias, excessivas e frequentes". Além disso, "os abusos
sexuais por membros de ordens religiosas eram raramente divulgados ao
Ministério da Educação pelas autoridades devido a uma cultura de
silêncio sobre a questão", leia-se uma cultura de autorizar e encobrir
as atrocidades.
Há
anos as vítimas pediam que a denúncia fosse tornada pública. Mas
líderes das ordens religiosas rejeitaram as alegações, chamando-as de
exageros e mentiras, e afirmaram que quaisquer abusos seriam
responsabilidade de indivíduos há muito falecidos. Mas as descobertas
não serão usadas em processos criminais - em parte porque a Irmandade
Cristã processou com sucesso a comissão em 2004, obrigando-a a manter
em segredo a identidade dos membros da igreja envolvidos.
O
governo irlandês financiou um sistema paralelo de compensação que
pagou a cerca de 12 mil vítimas uma soma média de US$ 90 mil. Cerca de 2
mil pedidos de indenização ainda esperam aprovação. As vítimas recebem
apenas se abrirem mão do direito de processar o Estado e a Igreja.
Centenas rejeitaram a condição que prova que a igreja e o estado estão
juntos na defesa dos estupradores e pedófilos.
Uma
das vítimas, Tom Haynes, atualmente com 60 anos, em entrevista a rede
BBC, afirmou que: "Era habitual ser acordado a meio da noite por
pessoas que abusavam sexualmente de mim”, Haynes viveu na escola dos
Irmãos Cristãos em Limerick. Ele ainda completou que "Quando
informávamos os Irmãos Cristãos (sobre os abusos) éramos agredidos e
ameaçados".
A
conivência e cumplicidade da Igreja Católica diante dos abusos
cometidos por seus padres nos orfanatos irlandeses são inegáveis. A
postura da instituição não foi somente de “silêncio”, mas
principalmente de cumplicidade. As denuncias do relatório e o
depoimento das vítimas deixa claro que a cúpula da igreja fez de tudo
para proteger os estupradores e abusadores membros de suas dioceses. As
perseguições as crianças que reclamavam se davam através de
humilhações, espancamentos e, muitas vezes, da proibição de comida aos
órfãos.
Mas
esta postura não ocorre somente na Irlanda. Em todo o mundo a igreja
protege seus estupradores e violadores. Somente nos Estados Unidos, por
exemplo, a igreja gastou mais de U$$ 430 milhões em indenizações por
processos de pedofilia e estupros cometidos por seus sacerdotes. Mas
nenhum dos criminosos foi excomungado ou expulso da igreja, da fé
católica ou perdeu seu lugar no céu.
A
medida mais radical tomada pela igreja nesses casos foi transferir os
padres, bispos e Cia para outras paróquias, outras cidades e outras
funções dentro da Igreja. E na Irlanda não será diferente, nenhum dos
estupradores dos orfanatos sofrerá qualquer sanção do Vaticano, no
máximo serão transferidos, para que promovam suas atrocidades em outros
lugares.
É preciso que se punam os Padres e a Igreja católica, cúmplices na violência sexual
Não
é a toa que muitos dos casos mais chocantes de violência sexual,
pedofilia e agressões ocorram dentro dos templos, orfanatos e demais
instituições da retrógrada Igreja Católica. A ideologia desta
instituição que condena o Homossexualismo, o direito de escolha em
relação ao aborto, o uso de métodos contraceptivos e de prevenção a
doenças sexualmente transmissíveis (no continente africano a igreja
chega ao extremo de denunciar a camisinha, afirmando que o preservativo
ajuda na contaminação pelo HIV), o divórcio e o sexo antes e dentro do
casamento se não for para reprodução, mostra por si só o quão doentia é
a doutrina desta instituição.
Enquanto
condena tudo aquilo que poderia proteger a vida, a Igreja é tolerante
diante do aumento da gravidez precoce, das doenças sexualmente
transmissíveis como a Adis, e, principalmente da pedofilia e estupros
promovidos por seus sacerdotes.
O
Vaticano acobertou centenas de padres estupradores nos últimos anos,
pagando indenizações e transferindo os criminosos, sem nunca excomungar
nenhum, e sequer entregar para a polícia ou mesmo afastá-los da função
de padre. O Vaticano, que apoiou o nazismo e condena homossexuais e
mulheres, agora está defendendo até mesmo os estupradores que fazem
padres que fazem parte de suas dioceses.
Estes
casos mostram claramente de que lado a Igreja católica está: dos
exploradores e opressores. O Vaticano defende uma política exploração,
miséria e violência contra os trabalhadores. Seus padres são os maiores
criminosos quando o delito é relacionado com violência sexual e
negligencia no atendimento de saúde.
No
sistema capitalista em que vivemos, o Estado burguês se utiliza da
Igreja, que lhe é anterior e a qual precisou combater por seus atrasos e
ignorância feudais, para melhor oprimir e explorar os trabalhadores e
trabalhadoras. Por isso, governantes aceitam e são reféns das posições
da Igreja contra o aborto, contra os anticonceptivos, de defesa de seus
padres pedófilos e estupradores, etc. Para reverter esta situação,
somente com a luta unificada da classe trabalhadora pela destruição de
todas as instituições atuais, que sustentam o machismo e a exploração.
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