sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Estudantes do Chile invadem comissão legislativa no Congresso

Manifestantes ameaçaram agredir o ministro da Educação.
Eles exigem educação pública gratuita e de qualidade.

Um grupo de estudantes do Chile invadiu nesta quinta-feira (21) uma comissão legislativa sobre educação da qual participava o ministro da pasta, Felipe Bulnes, o que levou ao encerramento da sessão.
Segundo um vídeo divulgado na Internet pela televisão local, cerca de 60 pessoas entraram na antiga sede do Congresso chileno em Santiago no momento em que uma comissão do Senado discutia o orçamento para a educação em 2012.
Participavam da sessão o ministro da Educação, Felipe Bulnes, e vários senadores.
Estudantes deixam o prédio do Congresso após a invasão nesta quinta-feira (20) (Foto: AFP)Estudantes deixam o prédio do Congresso após a invasão nesta quinta-feira (20) (Foto: AFP)
Os estudantes invadiram o salão e alguns deles subiram na mesa de reunião para levantar um cartaz que dizia: "plebiscito agora", uma demanda dos estudantes para a realização de uma consulta popular que defina o futuro da educação.
A invasão levou ao encerramento da sessão, e o ministro abandonou o recinto sob ameaça de agressão.
Os estudantes deixaram o local uma hora depois, após ter firmado um acordo com o presidente do senado, Guido Giradi, para que seja apresentado um projeto de lei sobre a realização desta consulta popular.
O anúncio do acordo foi comemorado com gritos de "vai cair, vai cair, a educação de Pinochet", referindo-se ao regime do ex-ditador, que de 1973 a 1990 desmantelou o sistema de educação pública do Chile.
Ao sair, os estudantes foram encaminhados para uma delegacia, sendo liberados posteriormente.
Apesar do acordo firmado com o Senado, a ação dos manifestantes foi criticada pelo ministro do Interior, Rodrido Hinzpter, que acusou os estudantes de "agredir, insultar e ameaçar" parlamentares.
"O governo considera esses fatos extremamente graves. Esse foi um péssimo precendente, contrário às normas democráticas de convivência", completou o ministro, que prometeu levar os responsáveis à justiça.
Para 2012, Piñera anunciou um aumento de 7,2% dos recursos destinados à educação, em meio a um conflito estudantil que mantém paralisadas as escolas há cinco meses, exigindo educação pública gratuita e de qualidade.
O orçamento prevê destinar US$ 11,65 bilhões à educação, volume considerado "insuficiente" pelos estudantes, e o impasse nas negociações continuam.

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